Surfando em Bocas Del Toropor André Bae
Essa viagem provavelmente começou há uns 10 anos atrás, na escola. Não conhecia nenhum dos meus atuais irmãos do surfe, mas com certeza dividia o mesmo sentimento. Uma boa aula de história (eu gostava de física e matemática!), uma caneta, uma folha em branco e a imaginação fértil alimentada por filmes como “Thicker Than Water” ou “Surf Adventures”. Os rabiscos começavam e logo surgiam as ondas perfeitas e os coqueiros alinhados na praia. Pois é, no dia 5 de janeiro de 2013 esse sonho grafitado ganhou vida! Eu e mais quatro amigos (Luiz “Peitchola” Victor, Gabriel “Pequenino” Vieira, “Super” Mario Silva e Ricardo “Comandante” Camacho) partimos para o arquipélago de Bocas Del Toro, Panamá onde durante duas semanas indubitavelmente surfamos as melhores “olas” das nossas vidas (por enquanto!).
Tivemos nossos trancos e barrancos, que incluem pranchas extraviadas, infecções alimentares (famosa diarreia do viajante), pranchas quebradas e alguns cortes. Mas o prazer de surfar ondas de nível internacional fez tudo valer a pena. Conseguimos pegar muita onda, no melhor pico de Bocas, Careneros. Imaginem um point break de esquerda com quase 2 metros na parede, fundo de coral, com água quente e um leve terral que nos refrescava do sol escaldante. No começo ficamos meio apreensivos por causa do leve localismo, mas ficar hospedado no hotel cujo dono é um dos locais mais cascas grossas (dá-lhe Cookie!) ajudou a ganhar confiança no pico. Contávamos também com a experiência adquirida no Arpex e ter aquela certa malandragem com o crowd.
Acostumado a surfar em Ipanema, com ondas buracas e rápidas, de início estranhei essa onda “Carenero”. A impressão que eu tive foi de tranquilidade e espaço! Duas remadas, se bem posicionado, bastavam para entrar na onda. Pairava durante alguns segundos, só para garantir que era essa a que eu estava esperando e dropava. E que drop tranquilo! Parecia que isso tudo acontecia em minutos, enquanto na realidade certamente não duravam mais do que 5 segundos. Podia dropar reto, cavando forte na base, ou já colocando no corte...não importava! Essa onda permitia você surfar ela do jeito que você queria, com espaço para errar e consertar. Era um braço com espaço para 4-5 batidas e para os goofies ou regulares mais experientes, o tubo no inside era quase certo com direito a plateia no canal, aplaudindo e gritando o famoso “uhuu”!
Paraíso! Não só pelo surfe (pegamos altas ondas em Paunch também, um triangulo tubular e perfeito que nem sempre perdoa o erro) mas pelo lugar em si. Estávamos banhados pelo mar caribenho, que fez jus a sua reputação. Água cristalina, com um verde criptonita que ainda não tinha visto. Vida marinha abundante, pessoas alegres e sorridentes, clima totalmente tranquilo e relaxante. E as casinhas, a beira do mar, com decks que se estendiam até a água enalteciam a sensação de serenidade.
Voltamos para o Rio de Janeiro totalmente realizados, felizes em termos concretizado um sonho de adolescência. Bocas Del Toro terá um lugar muito especial em nossos corações e da próxima vez que a agitação da cidade nos afetar, seja pelo transito ou estresse de prazos, sabemos exatamente para onde nos transportar. Agradecemos do fundo do coração as pessoas que fizeram essa viagem mais especial do que ela foi, e citando o figurasso Ivan, me despeço “tranquilo tranquiiilo”.
(Veja também a galeria de fotos no quadrado ao lado)