X-GAMES - O LEGADOpor Felipe Brito / ARTE por Ally Fukumoto
Considerado a Olimpíada dos esportes radicais. O X-Games é o maior evento da categoria realizado atualmente. O que o diferencia dos Jogos Olímpicos convencionais são as modalidades praticadas e o intervalo entre os eventos, que acontecem anualmente em duas edições distintas.
O evento rola no verão - X-Games de verão (Summer X-Games) - e no inverno – X-games de inverno (Winter X-Games). O primeiro de verão rolou em 1995 em Rhode Island e o primeiro de inverno em 1997 em Big Bear Lake, ambos nos Estados Unidos. Depois disso foi lançado ao mundo e expandiu absurdamente em muito pouco tempo. Podemos dizer que se realmente existem seres extraterrestres, eles assistem o X-Games. Ou estariam eles entre os competidores?!
Os atletas competem pelas medalhas em forma de X de ouro, prata e bronze.
Além das premiações em dinheiro para os melhores colocados. Todos os competidores do X-Games são convidados, ou seja, não existe uma eliminatória ou um evento classificatório. Os organizadores selecionam os melhores atletas em atividade no momento e enviam o convite com antecedência para que eles possam se organizar para competir ou abrir a vaga para os alternates (reservas). Com os melhores do mundo disputando entre si, o evento não tem como ser ruim. Não foi à-toa que manobras como o 900 de Tony Hawk
no skate vertical, o duplo mortal de frente (double front flip) no BMX de Anthony Napolitan , o duplo mortal para trás (double back flip) de Travis Pastrasana no Motocross Estilo Livre (Freestyle Motocross) o triple cork de Torstein Horgmo’s no Snowboard Freestyle e o duplo mortal para trás (double back flip) de Levi Lavallee no Freestyle Snowcross aconteceram pela primeira vez em edições dos X-games de verão e de inverno.
O que contribuiu para a visibilidade do X-Games, além de importantes manobras que fazem com que o evento seja muito emocionante, foi o grande número de patrocinadores. Eles atraem o publico através de suas respectivas marcas, sempre ligadas aos grandes nomes dos esportes.
O evento promete ser o grande legado para as gerações futuras que vem se interessando por estes esportes pouco convencionais.
E convenhamos né galera, já está mais do que na hora de largar o futebol e começar a se divertir com o que realmente vale a pena.
DUKE KAHANAMOKU LENDA/MITO/VERDADEpor Ferlipe Brito
Símbolo de sua cultura e embaixador do Hawaii, o cara era fora de série. The Duke ou The Big kahuna , como era conhecido, trazia sempre com ele a preocupação com os outros, a coragem na adversidade, o espírito esportivo na derrota e a humildade na vitória. Deixava o legado de todos estes valores por onde passava.
O pai do surfe moderno elevou o esporte ao extremo e representou o Hawaii no sentido mais nobre e, com seus feitos, trouxe novamente a autoestima a seu povo. Mostrou que o Hawaii era lar de um povo guerreiro e nobre.
Este fenômeno já nasceu de uma maneira rara, sua família era 100% havaiana e seu sangue tinha descendência nobre. Em 24 de Agosto de 1890, a mamãe Kahanamoku deu a luz ao menino prodígio e logo notou que ele tinha uma excelente aptidão para a água. Como todo polinésio que se prese. Quando moleque, desenvolveu uma técnica inusitada para a natação que o diferenciava dos demais, lhe dando grande vantagem em competições de natação. Duke marcou presença na natação em 4 jogos olímpicos, levou 5 medalhas pra casa (3 de ouro e 2 de prata) e bateu alguns recordes mundiais.
Apesar de todo esse sucesso olímpico, Duke conviveu com uma limitação financeira durante boa parte da vida. Fez alguns filmes na recém-formada Hollywood e foi merecidamente reconhecido depois de algum tempo.
Em passagem pela Austrália, o pai do surf ficou inconformado em ver tantas ondas quebrando em tantos lugares diferentes e sem ninguém para surfá-las. Fez uma prancha, surfou em frente a uma multidão australiana e mostrou o que se deve fazer quando as ondas estão quebrando. Foi assim que começou o surfe na Austrália, que hoje é um berço de novos talentos deste esporte e o homenageou com uma estátua em Sydney. Tudo isso aconteceu em 1915.
Fez demonstrações e ensinou muitas pessoas a surfar, celebridades, nobres, príncipes e por aí vai. Suas histórias são fantásticas, reza à lenda que The Duke surfou uma onda de 20 pés que percorreu mais de 2 km e que uma vez na Califórnia salvou 8 dos 12 sobreviventes de um pesqueiro que o mar ressacado emborcou. Duke era o único que conseguia varar a arrebentação naquele dia e o fez por 3 vezes. Tudo isso com a sua Papa Nui, uma prancha tradicional havaiana que tinha cerca de 5 metros de comprimento e pesava aproximadamente 50 kg. Isso mesmo 50 kg.
Em 1965 o Duke Kahanamoku Invitational foi criado em sua homenagem e era disputado na praia de Sunset no North Shore havaiano. Este evento passou a ser desejado por todos os surfistas da época, dentre eles estava Eddie Aikau, mas essa é outra história. Muito boa por sinal.
The Big Kahuna nos deixou em 1968, foi cremado e suas cinzas foram lançadas ao mar em Waikiki, onde tudo tinha começado.
Entrar na água com tubarão na área é de arrepiar qualquer um, mesmo quem convive com o mar diariamente. Que surfista já não caiu sozinho na água e pôs os pés para cima da prancha depois de ver uma movimentação estranha no mar?
A mídia também não ajuda, filmes, documentários e programas de TV que espalham o terror e reinforça o estereótipo de vilão do animal. Até a semana do tubarão no Discovery, que deveria explicar justamente o contrário, faz suspense e coloca uma musica sinistra quando uma barbatana aparece. Mostram ataques e depoimentos de sobreviventes desmembrados.
Na realidade, as coisas são bem diferentes. Os tubarões não são monstros que atacam qualquer coisa que se move. São criaturas maravilhosas e como qualquer outro animal merecem nosso respeito. Tive a oportunidade de mergulhar com eles. Vi de perto sua beleza, força e agilidade. Em uma foto, o grupo de mergulhadores está cercado por 32 galhas pretas (Carcharhinus limbatus) e nenhum se mostrou agressivo.
Ataques de tubarão são raros. Poucos ocorrem por ano, mas quando ocorrem todos ficam sabendo, por isso o espanto. Estes ocorridos deveriam ser tratados como o que realmente são, acidentes e nada a mais.